Janeiro Roxo 2026: prevenção, diagnóstico precoce e enfrentamento da hanseníase

Você sabia que a hanseníase só existe em dois países do mundo? Brasil e Estados Unidos.  Nos outros países, essa doença é chamada de lepra. Até a campanha da OMS – Organização Mundial da Saúde para eliminação desta doença chama-se “Towards zero leprosy.

Quando estive na sede da OMS, em Genebra, o então responsável me explicou: nós preferimos eliminar a doença do que ficar trocando de nome — ainda que a intenção seja diminuir o preconceito — o tempo e recursos usados nisso poderiam ser melhor aplicados na prevenção e cura. Além do que, com o tempo, o preconceito passa para o novo nome…

Mas como está no Brasil?

Em maio de 2022 assustei-me com o que vi em Imperatriz, no Maranhão: 16 novos casos de hanseníase em apenas uma UBS – Unidade Básica de Saúde. E pasmem, estes números referem-se somente aos casos diagnosticados em crianças!

Mas isso não é novidade: o Brasil é o segundo país com mais diagnósticos de hanseníase detectados, concentrando cerca de 14% de todos os novos casos que ocorrem no mundo.

Entre 2010 e 2024, aumentou o número de pessoas com hanseníase em quatro estados: Pernambuco, Minas Gerais, Tocantins e Mato Grosso. 

Aliás, Tocantins e Mato Grosso são os campeões nacionais e, para piorar o quadro, Mato Grosso mais do que dobrou o número de pessoas com hanseníase nesses anos.

Veja  no gráfico abaixo a situação por Região do Brasil:

Fonte: gráfico elaborado a partir de dados da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde obtidos em https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hanseniase/situacao-epidemiologica/dados-epidemiologicos/taxa-de-prevalencia-de-hanseniase-por-10-000-habitantes-segundo-unidades-da-federacao-regioes-e-brasil-2010-a-2024/view

Assim que soubemos do número de crianças afetadas no Maranhão, lançamos em junho de 2022 o material e-Combate a Hanseníase: vale a pena você dar uma olhadinha para saber como se previne, como se faz o diagnóstico e como se trata esta doença. E, para minha surpresa, neste mesmo mês, uma voluntária do oeste catarinense me pediu o material pois foi detectado um caso de hanseníase no município dela. Santa Catarina é hoje o segundo melhor estado em indicadores relacionados à hanseníase, o que reforça algo importante: a doença não está distante. Ela está mais próxima do que muitas vezes imaginamos. 

O que você precisa saber

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os principais fatos da hanseníase são:

  • A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada por um tipo de bactéria, o Mycobacterium leprae.
  • A doença afeta predominantemente a pele e os nervos periféricos. Se não tratada, a doença pode causar incapacidades progressivas e permanentes.
  • A bactéria é transmitida por gotículas expelidas pelo nariz e pela boca durante o contato próximo e frequente com casos não tratados.
  • A hanseníase é curável com poliquimioterapia (PQT).
  • A hanseníase pode ser eliminada!

Para eliminar a Hanseníase, precisamos interromper a transmissão:

(i) implementar roteiros integrados e nacionais para a erradicação da hanseníase em todos os países endêmicos;

(ii) ampliar a prevenção da hanseníase juntamente com a detecção ativa integrada de casos;

(iii) controlar a hanseníase e suas complicações e prevenir novas incapacidades; e

(iv) combater o estigma e garantir o respeito aos direitos humanos. 

O Brasil não pode continuar convivendo com a hanseníase. Muitos países com menos recursos que o nosso já conseguiram eliminá-la. O Janeiro Roxo nos lembra que esse objetivo é possível, desde que haja informação, diagnóstico precoce, enfrentamento do estigma e compromisso coletivo. Junte-se à essa campanha. 

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