Category: Gestação e cuidados com o bebê

  • Sua imunidade depende de como você nasceu e se mamou no peito

    Sabe aquela resistência que algumas pessoas têm a gripes? Ou como certas famílias parecem ter menos alergias? Muito disso pode ter sido definido nos seus primeiros dias de vida. Vou te explicar o porquê!

    A ciência descobriu que pessoas nascidas de parto normal têm menor chance de desenvolver diabetes, artrite, doença celíaca e outras doenças ao longo da vida. E se a sua mãe comeu bastante fibra na gravidez, você provavelmente tem menos asma e alergias hoje.

    Eu sei que pode soar estranho pensar que algo que aconteceu há décadas ainda influencia sua saúde. Mas quando você entender como isso funciona, vai fazer todo sentido. E o mais importante: vou te mostrar o que você pode fazer hoje para se cuidar melhor, independente de como nasceu.

    Quando você nasce de parto normal

    Algo lindo acontece: você recebe o primeiro “presente” da sua mãe – bilhões de bactérias benéficas que vêm dela para você.

    Imagine o intestino do bebê como uma casa nova, completamente vazia. Durante o parto normal, essa casa recebe os primeiros “moradores” –  bactérias como Lactobacillus e Bifidobacterium, que ensinam seu sistema imunológico a funcionar direito.

    Essas bactérias boas fazem coisas importantes para você:

    • Ensinam seu corpo a reconhecer o que é perigoso e o que não é
    • Fortalecem a parede do seu intestino
    • Competem com bactérias ruins, não deixando espaço para elas
    • Ajudam a digerir a comida e fazer vitaminas importantes

    É como se fossem suas primeiras professoras, ensinando seu corpo a se defender do mundo.

    Quando você nasce de cesárea

    Você não passa pelo canal de parto da sua mãe. Os primeiros “moradores” da sua casa intestinal vêm de outros lugares – da pele da sua mãe, das mãos dos médicos e enfermeiros, do ambiente hospitalar.

    Quero deixar claro: cesárea não é sempre ruim. Muitas vezes ela salva vidas – a do bebê e de sua mãe. Mas significa que você recebeu um “time” diferente de bactérias para começar a vida (menos preparado para te proteger).

    Por que isso importa tanto tempo depois?

    Os primeiros anos da sua vida são uma “janela mágica”. É quando seu sistema imunológico está na “escola”, aprendendo a funcionar. Se ele aprende com bons professores (bactérias benéficas), cresce equilibrado e forte. Se aprende com professores não tão bons, pode ficar confuso e atacar coisas inofensivas, provocando alergias ou não conseguir se defender direito.

    Pesquisadores acompanharam mais de 2,5 milhões de pessoas desde que nasceram até os 40 anos. Descobriram que quem nasceu de cesárea teve mais chance de ter:

    • Diabetes tipo 1 e tipo 2
    • Artrite
    • Doença celíaca
    • Problemas no intestino
    • Asma e alergias

    Não estou falando isso para você se preocupar, mas para entender que seu corpo tem uma história – e conhecê-la te ajuda a se cuidar melhor.

    Leite materno: o melhor alimento do mundo

    Tomo a liberdade de dizer que o leite materno não é só comida, mas uma medicina personalizada que a sua mãe fazia especialmente para você. Ele tem mais de 200 componentes diferentes e cada um tem uma função.

    Tem anticorpos que sua mãe fez contra os germes do lugar onde vocês viviam, substâncias que alimentam suas bactérias boas, células vivas da sua mãe que continuam trabalhando dentro de você e até hormônios que te ajudam a crescer direito.

    Aliás, o leite de mães bem nutridas é mais gordo para meninos que para meninas. É como ter uma farmácia, uma cozinha e um laboratório trabalhando 24 horas só para você.

    O leite da manhã é diferente do leite da noite. O leite de quando você era recém-nascido(a) era diferente do leite de quando você tinha alguns meses. Caso ficasse doente, sua mãe percebia isso através da sua saliva no peito dela e em algumas horas produzia anticorpos específicos para te ajudar.

    Como o leite em pó na prateleira do supermercado ia saber disso tudo sobre você?

    As limitações das fórmulas infantis

    As fórmulas são feitas por pessoas que tentam copiar o leite materno, por isso têm limitações:

    • É sempre a mesma composição, não muda conforme a criança precisa
    • Não têm os anticorpos da sua mãe contra os germes do seu ambiente
    • Não têm células vivas nem fatores de crescimento
    • Os ingredientes que imitam os prebióticos não funcionam igual aos naturais do leite materno

    Não estou dizendo isso para culpar as mães que usaram fórmula (às vezes, é a única opção e os bebês crescem saudáveis com ela também). Estou explicando para que você entenda por que o leite materno é tão especial e por que crianças que não puderam recebê-lo têm um organismo diferente.

    Independente do seu caso, aqui está a boa notícia

    Se você nasceu de cesárea, não mamou no peito, ou simplesmente quer cuidar melhor da sua saúde, a boa notícia é que o seu intestino é um órgão generoso. Ele se renova constantemente e você pode influenciar nessa renovação todos os dias alimentando as suas bactérias do bem e mantendo hábitos saudáveis!

    1. Deixe seu corpo conhecer micróbios bons (sem medo): viva em contato com a natureza (coloque os pés na grama, por exemplo), tenha animais de estimação (se possível), use produtos de limpeza simples (não precisa matar 99,9% das bactérias);
    2. Use antibióticos como remédio, não como prevenção: apenas com recomendação médica e complete o tratamento quando iniciar, mesmo que a sua saúde tenha melhorado antes do previsto (capriche na alimentação para alimentar as suas bactérias do bem);
    3. Alimente as suas bactérias do bem: elas adoram frutas com casca, verduras e legumes, cereais (aveia, granola) e leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico) e odeiam ultraprocessados e açúcar (salsicha, nuggets, salgadinhos, refrigerantes, doces…)

    O que quero deixar no seu coração

    Entender como o seu nascimento e a amamentação influenciaram na sua saúde não é para gerar culpa ou tristeza. É conhecimento para você fazer escolhas melhores hoje.

    Se você é mãe, use essas informações para conversar com o seu médico sobre suas opções, sempre lembrando que o mais importante é você e seu bebê ficarem bem e seguros.

    Se você quer cuidar melhor de si, agora sabe que tem ferramentas poderosas nas suas mãos: sua comida, suas escolhas diárias, sua relação com o mundo ao seu redor.

    Lembre-se: sua microbiota é única, como uma impressão digital. Ela conta a história da sua vida, mas você continua escrevendo essa história todos os dias.


    Fontes que usei para escrever isso para você:

    Maternal Microbiota, Early Life Colonization and Breast Milk Drive Immune Development in the Newborn

    Evidence that asthma is a developmental origin disease influenced by maternal diet and bacterial metabolites

    Human milk immune factors, maternal nutritional status, and infant sex: The INSPIRE Study

  • Morte súbita de bebês: causas, prevenção e cuidados essenciais no sono infantil

    A morte súbita de bebês é uma das maiores preocupações entre pais e cuidadores. Esta situação causa medo e dúvidas, especialmente quando se trata da posição correta para o bebê dormir. 

    “Mas não engasga?”. Essa é a pergunta mais comum entre mães, pais e cuidadores que têm medo de colocar o bebê para dormir de barriga para cima.

    Esse receio é compreensível, parece mais seguro deixá-lo em outra posição. Mas a ciência já comprovou que dormir de lado ou de bruços aumenta o risco de morte súbita de bebês recém-nascidos.

    Neste artigo, você vai entender como proporcionar um sono seguro para o bebê, com cuidados essenciais que ajudam a prevenir a morte súbita.

    • Um causo de morte súbita de bebê
    • Causas de morte súbita de bebês
    • Como prevenir a morte súbita de bebês e engasgamentos
    • Mecanismos que tentam explicar a morte súbita de bebês

    Continue a leitura para saber como preparar o seu bebê para dormir bem!

    Um causo de morte súbita de bebê

    Uma de minhas marcantes lembranças da minha mãe, Dra. Zilda, ocorreu quando eu tinha uns 5 anos de idade. Num sábado, logo cedo, apareceu uma mãe desesperada, perguntando se era ali que morava uma médica pediatra. 

    Curioso, eu fui até a varanda de nossa casa e acompanhei. Esta mãe mostrou o pequenino bebê todo enroladinho e disse que estava muito bem até a noite mas agora cedo não se mexia… 

    Minha mãe encostou no bebê, ficou branca, correu para pegar o estetoscópio para ouvir o coração do bebê e não ouviu nada. Respirou fundo, olhou para a mãe e fez um sinal não com a cabeça. 

    O desespero da mãe do bebê aumentou ainda mais, disse que não, o filho não poderia ter morrido, ele estava muito bem antes de dormir, todos estavam errados, ela ia buscar um hospital… e saiu correndo. 

    Minha mãe entrou e sumiu. Perguntamos para meu pai onde ela estava e ele só respondeu que ela estava no quarto, triste pelo bebê, para deixar ela chorar. No Domingo, minha mãe não veio almoçar conosco e o pai repetiu que ela ainda estava triste. 

    Depois entramos os três filhos, nos aconchegamos na cama e ficamos com ela. Muitos perguntam o porquê dela ter iniciado a Pastoral da Criança. A resposta é clara: a minha mãe perdeu seu primeiro filho 3 dias após o nascimento, por problemas de parto, Ela sabia o que é a dor de uma mãe e puxou para si a tarefa de evitar tantas mortes e sofrimentos absolutamente evitáveis.

    Causas de morte súbita de bebês

    A morte súbita de bebês ocorre principalmente nos primeiros quatro meses, mas pode acontecer em todo primeiro ano de vida.

    Muitos pais têm medo de colocarem seus bebês para dormirem de barriga para cima e morrerem engasgados ao vomitar, mas a possibilidade de morte súbita é cerca de 10 vezes maior que morrer engasgado ou sufocado;

    A posição barriga para cima não aumenta o risco de engasgo e aspiração em bebês, mesmo aqueles com refluxo gastroesofágico, porque os bebês têm anatomia e mecanismos das vias aéreas que os protegem contra a aspiração.

    Na Inglaterra, desde 2008,toda morte inesperada de bebês é obrigatoriamente investigada pela polícia (no equivalente ao nosso Instituto Médico Legal) e pelas autoridades da saúde.

    Nestas análises, os peritos descobriram que bem poucas mortes ocorrem por aspiração de vômito: quando a criança engasga, os pais certamente acordam e vão acudir a criança e mesmo que isso não ocorra, é muito difícil o vômito obstruir totalmente a respiração: a criança sofre, fica roxinha mas dificilmente morre pelo que se chama de “sufocação e estrangulamento acidental na cama”.

    Na morte súbita de bebês, tecnicamente chamada de “Síndrome da morte súbita na Infância”, o que acontece é que o bebê desliga e não consegue voltar, ocorre uma falha de auto-ressuscitação. Nós adultos também desligamos depois de um bom almoço, num ambiente quentinho: damos aquela pescada mas acordamos (assustados para o riso de muitos).

    Enquanto na Inglaterra, caíram 31% nos últimos 5 anos e já era muito baixa em 2015. No Brasil, entre 2020 e 2023 até aumentou (4%)!

    Neste mapa, pode-se ver que o Brasil está entre os piores da América do Sul.


    Variação percentual anual estimada, por país, nas taxas de mortalidade por morte súbita de bebês, de 1991 a 2021 (Fonte: Sudden Infant Death Syndrome Mortality Trends and Socioeconomic Inequalities Worldwide: Evidence from the Global Burden of Disease Study)

    Como prevenir a morte súbita de bebês e engasgamentos

    A seguir você pode conferir as principais medidas de segurança para proporcionar um sono seguro para o bebê:

    • Colocar o bebê para dormir de barriga para cima: mesmo em sonecas curtas, até um ano de idade, e caso o bebê se vire sozinho após os 4–6 meses, não é necessário recolocá-lo, desde que tenha sido posto inicialmente de barriga para cima;
    • Utilizar superfície firme e sem objetos soltos: sem travesseiros, cobertores, protetores de berço, pelúcias ou rolinhos, cuidando também com os lençóis e cobertores (coloque os braços da criança por cima, pois isso evita que ela mergulhe para baixo);
    • Tire o paninho do rosto do bebê (se você tiver esse costume): colocar um paninho no rosto do bebê para ele dormir logo impede que ele respire bem (“ar viciado”);
    • Não compartilhar a cama: o bebê deve dormir sozinho no berço, não com adultos ou irmãos, ainda mais se o adultos estiver sob efeito de álcool, cigarro ou drogas ou tiver um sono profundo (compartilhar o quarto é diferente e protetor: pode colocar o berço ao lado da cama dos pais até 6 a 12 meses);
    • Evitar fumar durante a gestação e depois do nascimento: não deixar que fumem no ambiente onde está a gestante ou o bebê (cigarros eletrônicos também prejudicam);
    • Use roupas leves no bebê: para evitar o superaquecimento do bebê, use roupas adequadas à temperatura ambiente;
    • Aleitamento materno protege o bebê: só dar o peito até os 6 meses protege ainda mais (lembre que o melhor para o bebê é mamar dois anos ou mais);
    • Evite sonecas em dispositivos para sentar: cadeirinhas de carro, carrinhos de bebê, balanços, cangurus e slings para bebês, não são recomendados para o sono rotineiro, principalmente para bebês pequenos (sofás e poltronas são lugares particularmente perigosos para bebês dormirem, por isso devem ser evitados).

    Aplicando essas medidas de segurança, você proporcionará um sono saudável e seguro para o bebê.

    Uso de chupeta durante o sono

    A sociedade americana de pediatria recomenda, mas ainda há dúvidas. Aparentemente reduz o risco de morte súbita de bebês, possivelmente por manter vias aéreas mais abertas. Algumas instruções de segurança:

    1. Se a chupeta cair durante o sono, não é necessário recolocá-la;
    2. Chupetas não devem ser penduradas no pescoço do bebê, pois há risco de estrangulamento;
    3. Chupetas presas à roupa do bebê não devem ser usadas com bebês dormindo;

    Para bebês amamentados ao seio, a introdução da chupeta deve ser adiada até que a amamentação esteja firmemente estabelecida.

    Dormir em superfícies inclinadas

    Acessórios inclinados para o bebê ficar são proibidos nos EUA, Europa e vários outros países. A Lei do Sono Seguro para Bebês de 2021 dos Estados Unidos e regulamentação européia proíbe a fabricação e a venda de acessórios inclinados e exige que todos os produtos para dormir infantil mantenham uma inclinação de 10 graus ou menos.

    Isso porque os bebês têm cabeça grande e pesada para seu tamanho e pescoço pequeno e fraco. Com isso, a criança tende a apoiar o queixo no peito, diminuindo a possibilidade do nariz captar ar livremente.

    Dormir em uma superfície plana melhora a respiração do bebê mas também o desenvolvimento de sua coluna. O colchão firme e plano sustenta melhor a curvatura natural da coluna do bebê. Isso é muito importante nos primeiros meses de vida pois estabelece  o bom alinhamento entre os músculos e os ossos, base para futuras habilidades motoras da criança.

    Exemplo de material inadequado vendido por uma das mais conhecidas empresas brasileiras de varejo: tem inclinação de mais de 12º! Ou seja, não só é inútil como pode matar o bebê.

    Há até propaganda referindo “O departamento de pediatria do Hospital Universitário de Bruxelas, na Bélgica, desenvolveu um colchão capaz de evitar a regurgitação… A técnica, descrita na última edição da revista especializada Archives of Disease in Childhood, do British Medical Journal, consiste em fazer com que a criança durma de barriga para cima e inclinada em um ângulo de 30 graus.”

    O perigoso é que não se acha artigos recentes sobre isso publicados nesta revista especializada e essa recomendação já foi rebatida em 1995 “pois o risco induzido provavelmente seria maior que o efeito benéfico”.

    Mecanismos que tentam explicar a morte súbita de bebês

    O que se sabe até o momento é que a morte súbita de bebês está relacionada a:

    • Alterações do cérebro (sistema nervoso central);
    • Pequenas anormalidades no coração;
    • Alterações no metabolismo de controle do açúcar/glicose no sangue;
    • Algum mal funcionamento do sistema imune;
    • Mutação similar a epilepsia.

    Conclusão

    A morte súbita de bebês é um tema que preocupa qualquer família, mas a informação correta ajuda a transformar esse medo em cuidado diário. Entender as causas, adotar medidas de sono seguro e observar o ambiente onde o bebê dorme reduz significativamente os riscos. 

    A posição de barriga para cima, o berço livre de objetos, o quarto compartilhado mas sem o bebê dormir na mesma cama com adultos e a atenção a hábitos como o aleitamento e a temperatura do bebê fazem diferença real nos primeiros meses de vida. 

  • O que a ciência diz sobre exercícios na gravidez?

    Praticar exercícios na gravidez é seguro, traz múltiplos benefícios à saúde e está alinhado com recomendações internacionais e nacionais de saúde na gestação. 

    Há muito tempo, minha esposa, Luciane, se surpreendeu com uma gestante saindo da Unidade Básica de Saúde na área rural de Campo Largo.

    A gestante, em final de gestação, saiu da consulta de pré-natal, disse que estava atrasada com o almoço, pulou no cavalo e saiu galopando sem sela nem nada!

    Acho que não há nenhum estudo científico que faça comparações com esta campolarguense, mas se eu fosse o bebê dela estaria me divertindo muito, até porque já deveria ter me acostumado com cavalgadas desde a concepção.

    Neste artigo, descubra quais são os principais efeitos da atividade física na gestante e no bebê, quais cuidados devem ser adotados e o que diz a ciência sobre exercícios na gestação.

    • Benefícios cientificamente comprovados dos exercícios na gravidez
    • Práticas recomendadas de exercícios físicos na gestação
    • Intensidade, segurança e autorização para atividades mais exigentes
    • Considerações sobre o treinamento do assoalho pélvico e cuidados especiais

    Continue a leitura para entender como mulheres grávidas podem praticar exercícios físicos com segurança!

    Benefícios cientificamente comprovados dos exercícios na gravidez

    A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que praticar exercícios na gravidez reduz o risco de pré-eclâmpsia, hipertensão, diabetes gestacional e ganho excessivo de peso. Portanto, também contribui para menos complicações no parto e ajuda a prevenir a depressão pós-parto.

    Além disso, o exercício pode ter efeitos positivos no metabolismo do bebê. Estudos publicados no The Lancet indicam que mulheres com obesidade que se exercitam durante a gravidez ajudam a prevenir doenças futuras nos filhos, por meio de mecanismos como a produção de apelin pelos músculos.

    Ou seja, não há evidências de que o exercício prejudique o bebê durante a gestação ou o parto, tampouco interfira negativamente no peso ao nascer.

    Práticas recomendadas de exercícios físicos na gestação

    A princípio, a OMS e o Ministério da Saúde orientam que mulheres saudáveis pratiquem ao menos 2,5 horas semanais de atividades físicas aeróbicas de intensidade moderada, como caminhar ou andar de bicicleta.

    Seja por lazer, transporte, trabalho ou afazeres domésticos, as atividades físicas podem se encaixar na sua rotina. Ademais, a recomendação também inclui exercícios de fortalecimento muscular e alongamentos suaves.

    Para quem tem histórico de sedentarismo, vale começar com movimentos leves e aumentar progressivamente. Já mulheres ativas antes da gestação podem manter sua rotina, inclusive com práticas mais intensas, desde que autorizadas por um profissional.

    Intensidade, segurança e autorização para atividades mais exigentes

    Mulheres que já realizavam exercícios intensos na gravidez podem mantê-los com segurança. 

    Durante a gestação, evite treinos sob calor excessivo, atividades com risco de queda ou que limitem a oxigenação e mantenha a hidratação constante. Sobretudo, evite ficar deitada de costas após o primeiro trimestre da gravidez.

    Geralmente, não é necessário pedir uma autorização médica para fazer exercícios físicos, se a gestante não possui contraindicações e as atividades físicas de intensidade leve ou moderada não excedem as demandas de caminhadas rápidas ou da rotina.

    Considerações sobre o treinamento do assoalho pélvico e cuidados especiais

    O exercício pélvico na gravidez é um dos mais recomendados para gestantes. Especialmente, o treinamento dos músculos do assoalho pélvico, pois previne a incontinência urinária e fortalece a musculatura para o parto e o pós-parto.

    Esse tipo de treino pode ser feito diariamente, com contrações curtas e longas dos músculos da região. Da mesma forma, também pode ser realizado em posição deitada, ajoelhada, sentada ou em pé.

    Outros movimentos que geram dúvidas, como gestante pode fazer agachamento, gestante pode fazer exercício prancha ou gestante pode fazer exercício em jejum, também exigem cuidado, pois devem ser adaptados ao estado clínico da mulher.

    Essas práticas fazem parte da lista de exercícios que gestantes podem fazer, desde que personalizadas com bom senso e apoio especializado.

    Conclusão

    Os exercícios físicos na gestação são seguros, benéficos e recomendados. Ou seja, a ciência mostra que eles promovem saúde materna e fetal, reduzem riscos de complicações e ajudam no parto e recuperação.

    Seja com caminhadas, treinos leves ou movimentos mais intensos, manter-se ativa durante a gravidez faz parte de um cuidado completo com o corpo e com o bebê. Portanto, com orientação adequada, é possível aproveitar todos os benefícios do exercício na gravidez com segurança.

    Referências